sábado, 19 de outubro de 2013

Secret love - Capítulo 03


A semana finalmente tinha chegado ao fim, era sexta feira e eu estava voltando do trabalho. Eu já trabalhava na lanchonete faziam duas semanas. Eu nunca pensei que minha vida pudesse mudar tanto em tão pouco tempo. Minha mãe não me ligou mais, ao contrário de Amber, que me ligava no mínimo umas três vezes ao dia. Eu sempre encontrava com Justin, era estranho, ele sempre aparecia nos lugares em que eu estava, e descobri que ele era frequentador oficial da lanchonete, todos os dias ele tomava café lá. Sempre dava um jeito de dizer algo desagradável, ele tinha o poder de me deixar extremamente nervosa, eu tive que me controlar várias vezes pra não voar no pescoço dele, tanto pra matá-lo quanto pra beijá-lo, porque seu olhar sexy e seu sorriso sedutor me causavam desejos quase que incontroláveis.

Eram oito da noite quando minha campainha tocou, Amber estava na porta vestida de forma um tanto sexy.

-Se arruma. Nós vamos sair. –ela disse animada.

-Sabe que eu realmente preciso? – franzi o cenho. –Tem tempos que não me divirto. Vou me arrumar rapidinho. –sorri.

Corri pro quarto e peguei um tubinho preto que realçava minhas pernas, coloquei um salto, arrumei meu cabelo e fiz uma maquiagem rápida. Eu ainda tinha um pouco de dinheiro e não via forma melhor de gastá-lo. Seguimos pra boate no carro de Amber, o que me fez lembrar que faziam dias que eu não sentia o ronco do motor do meu carro, eu precisava dar umas voltas com ele pela cidade depois. Assim que chagamos a musica alta já podia ser ouvida, o lugar estava cheio. Fui direto ao bar e pedi uma dose de tequila, e depois outra e outra. Eu já estava completamente leve e fui dançar com Amber. Eu deixava meu corpo ser guiado pela musica, depois de um tempo eu senti mãos em minha cintura e me virei, era um homem lindo. Fiquei dançando com ele um tempo e do nada ele me beijou, sua mão percorria todo o meu corpo e eu afundei meus dedos em seu cabelo. O beijo era intenso, só paramos quando ficamos com falta de ar. O cara levou sua boca ao meu ouvido.

-Não quer ir pra um lugar mais calmo? – e piscou pra mim.

Eu olhei em volta e vi Amber dançando com um carinha bem bonito, mas meu coração disparou quando olhei na direção do bar e vi Justin sentado ali, olhando em minha direção, seu rosto estava sem expressão nenhuma, ele apenas observava o que eu fazia. Esse cara tem que estar em todo lugar que eu vou?

-E então gata, o que me diz? – o cara voltou a perguntar.

-Eu acho melhor não. –disse e saí dali.

Me sentei no bar e comecei a beber de novo. Quando me levantei tive que me segurar no balcão pra não cair, eu via tudo rodando, mas eu senti uma enorme vontade de dançar e me esquecer de todos os problemas que tinham aparecido na minha vida. Fiquei dançando no meio da pista, eu estava de olhos fechados e sentia meu corpo leve, quando os abri vi tudo embaçado, eu desequilibrei e caí. Eu achei aquilo tão ridículo que comecei a rir de mim mesma, algumas pessoas em volta olhavam pra mim, mas eu não me importava com elas. Então eu senti braços que me puxaram pra cima. Era Justin, ele me olhava muito sério.

-Já chega Claire, eu vou te levar pra casa. –disse rígido, seu maxilar estava contraído o deixando ainda mais sexy.

-Uuuh, ele vai me levar pra casa. –olhei em volta. –Você ouviu isso Amber? –disse assim que a encontrei. –A noite hoje promete.

Eu segui em direção a saída com Justin, eu andava com dificuldade, aqueles saltos estavam acabando comigo. Ele me colocou com certa agressividade no banco do carona e depois deu a volta no carro. Ele estava sério e não dizia uma palavra, eu acabei dormindo ali mesmo.

Quando acordei minha cabeça latejava, eu olhei em volta e me assustei tanto que caí da cama. Onde eu estou?  Aquele definitivamente não era meu apartamento e julgando pela decoração do quarto um homem morava ali.

-Finalmente você acordou. – disse Justin entrando no quarto só de bermuda.

-Ai meu Deus! Não me diga que nós... nós não ... certo? –eu disse apavorada.

-Você quer saber se a gente transou? –ele perguntou simples e eu assenti. Ele então sorriu. –Nós fizemos bem mais que isso.

-Eu não acredito que fiz isso. –comecei a andar de um lado pro outro. – A culpa disso tudo é sua, eu não sabia o que eu estava fazendo, você se aproveitou de mim. –ele então começou a rir descontroladamente. –Qual é a graça seu idiota?

-Você acha realmente que isso aconteceu? –ele parou de rir. –Não seja ingênua Claire.

- Seu idiota. –eu disse indo em sua direção e lhe socando várias vezes o peito, ele nem parecia sentir. –Por que me tirou de lá? –eu perguntei nervosa.

-Por que você estava completamente bêbada. –ele disse firme. –Você acha que as pessoas ali não iriam tirar fotos e vender pra jornais e revistas da cidade? –eu fiquei calada. –O nome que você carrega não é somente seu, as coisas que vocês faz afetam seus pais também, a empresa deles. Mas você é egoísta demais pra pensar nisso. Agora eu entendo porque eles  te expulsaram de casa. Deve ser um desgosto ter uma filha como você. –ele me encarava, como se estivesse olhando pra pior pessoa do mundo.

-Você não me conhece, Justin. –eu disse baixo, quase não era possível me ouvir. –Você não vai fazer de mim alguém que eu não sou. –eu peguei minhas coisas. –Obrigada pela carona. –eu passei por ele e saí dali.

Eu estava com a porta do seu apartamento aberta, prestes a sair, quando vi o braço de Justin passar rápido ao meu lado e fechar a porta bruscamente.

- Me deixa ir embora, Justin. –disse me virando pra ele. –Eu preciso de um banho e um analgésico.

-Me desculpa. –ele sussurrou. Seu corpo estava tão próximo ao meu, sua boca a centímetros da minha. Eu sentia uma corrente elétrica passar por cada centímetro de mim, fazendo minhas pernas ficarem bambas. Mas o que está acontecendo? Justin é um idiota, eu não posso ficar assim perto dele.Com certa dificuldade, já que eu me perdi em seus olhos, eu falei.

- Você percebeu que essa é a segunda vez que me pede desculpas desde que nos conhecemos? – eu então saí do transe e falei mais firme. – Você devia medir mais suas palavras. Você pensa que tem o direito de me julgar? Você não sabe nada sobre mim.

-Eu sei disso. –ele falava baixo, com seu corpo ainda bem próximo do meu. –Eu sempre acabo falando demais e magoando as pessoas. Mas eu prometo tentar me controlar.

-É o que veremos. –eu então abri a porta e saí dali.

Assim que entrei em casa liguei pra Amber, antes mesmo que ela pudesse dizer “Alô” ,eu me apressei em dizer:


-Amber, eu estou com sérios problemas.

My Best Friend- Cap 10


O beijo de Justin começou calmo e suave,depois de algum tempo ele foi aumentando a intensidade e me puxava cada vez mais para perto de si,como se fosse possível,a distancia entre nós era zero,não existia.Depois de algum tempo diminuímos o ritmo e ele terminou o beijo com um demorado selinho,ficamos um tempo sem dizer nada,ele apenas me olhava nos olhos e então sorriu colocando sua testa junto da minha.
-Você e essa sua mania de não deixar ninguém terminar de falar. –ele levou uma de suas mãos até minha bochecha e a acariciou me fazendo sorrir.
-Mas você disse que sempre me viu como uma irmã mais nova. –eu disse o olhando nos olhos.
-Eu sei o que eu disse. –ele olhou ao redor. –Vamos voltar pro carro,a gente ta no meio da rua. –Ele pegou minha mão e seguimos em direção ao carro.
Ficamos um tempo em silêncio absoluto,apenas nossas respirações se faziam ouvir.
-Eu não sei o que ta acontecendo comigo Ali.Eu não consigo mais esconder que eu sinto ciúmes de você com outros caras,eu me segurei diversas vezes pra não te beijar.Eu te vejo de forma diferente agora. –seus olhos cor de mel me penetravam de uma maneira que me fazia arrepiar.
-E por que nunca me disse?
-Pelo mesmo motivo que você esperou pra me contar.Eu tive medo.Eu amo você Ali,de uma forma que ninguém no mundo vai conseguir entender,eu te conheço do avesso,eu sei do que você gosta,do que você não gosta.Perder você seria algo que eu não iria suportar jamais. –ele fez uma pausa e pegou minha mão entrelaçando nossos dedos. –E vamos combinar que eu não sou o cara mais indicado pra fazer uma garota feliz,eu não sei como é isso.
-Justin,o que você tem feito desde o dia em que nos conhecemos? –ele me olhava indicando não saber a resposta. –Você me faz feliz. –ele sorriu.
-A gente pode tentar né?Sem pressão,vamos deixar as coisas acontecerem.Eu quero muito que isso dê certo Ali,eu não consigo mais me controlar perto de você.
-Por favor não se controle. –eu disse mordendo meus lábios inferiores e sorrindo pra ele.
Justin me lançou um olhar safado e inclinou seu corpo,me fazendo sentir seus lábios macios junto os meus mais uma vez.Quando terminamos o beijo ambos sorríamos.
-Já está tarde,eu preciso voltar pra casa. –eu disse e ele assentiu ligando o carro.
Durante todo o trajeto eu notei que ele me olhava pelo canto do olho e algumas vezes até dava um sorriso sexy de lado.Assim que paramos na frente da minha casa Justin desceu e me acompanhou até a porta.Ele se aproximou de mim colocando suas mãos em minha cintura e eu envolvi meus braços em volta do seu pescoço,iniciamos assim um beijo que foi interrompido pela falta de ar de ambos.
-Te vejo amanhã Ali. –ganhei um beijo na bochecha.
-Até amanhã Jus. –sorri e entrei em casa.
Assim que fechei a porta escorei as costas na mesma e me permiti soltar um alto suspiro. “Aquilo havia mesmo acontecido?”, eu me perguntava. Subi as escadas e fui até o quarto da minha mãe,estava louca pra contar a ela tudo sobre aquela noite,mas a encontrei dormindo.Segui então pro meu quarto e me despi,tomei um banho quente e coloquei meu pijama.Assim que deitei minha cabeça no travesseiro fechei meus olhos relembrando cada detalhe do beijo de Justin,era muito melhor do que eu havia imaginado,ainda mais porque era real.Fiquei mais alguns minutos repassando as ultimas horas na minha cabeça,até que acabei pegando no sono.


sexta-feira, 11 de outubro de 2013

My Best Friend - Capítulo 09

 O restante da semana passou sem nenhum acontecimento memorável. Apenas o fato de que passei os últimos três dias ensaiando para minha apresentação. Já era sábado de manhã e eu podia sentir aquele incômodo frio na barriga. “No que eu fui me meter?”, era a única coisa que se passava pela minha cabeça. Fiquei até cerca das cinco da tarde me preparando,repassei a música incontáveis vezes e rezava para que eu não cometesse nenhum erro.O show de talentos teria início as sete da noite e eu resolvi que era de começar a me arrumar.Durante o banho deixei que água caísse em minhas costas me proporcionando total relaxamento,fiquei ali por pelo menos trinta minutos e se eu pudesse ficaria mais.Coloquei uma roupa bonita mas que não chamasse tanta atenção,aliás nem fazia meu estilo.
-Vim te desejar boa sorte. –minha apareceu na porta do meu quarto.Fui até ela e a abracei.
-Vai dar tudo certo né? –perguntei me soltando de seus braços para olhar seus olhos.
-Fica tranqüila meu amor,tudo vai acontecer da forma que tem que ser. –ela sorriu me trazendo um pouco de tranqüilidade.
Terminei de me arrumar e quando eram 18:45 escutei a buzina de Justin,que insistiu em me levar.Peguei meu violão e segui em direção a porta da frente.Quando a abri pude ver Justin escorado em seu carro com o cabelo arrepiado e uma jaqueta de couro,seu perfume me fez fechar os olhos por um instante.
-Nervosa? –Justin perguntou e pegou meu violão o colocando no banco de trás.
-Não imagina,faço isso todos os dias. –eu sorri.
Entramos no carro e no caminho até a escola fomos ouvindo musica e cantando,como sempre fazíamos.Quando chegamos lá eu me espantei com a quantidade de pessoas.Não eram tantas assim, mas levando em conta que era um sábado a noite,estava lotado.
-Ali,você viu quanta gente veio rir de você? –Carol perguntou se aproximando, com Rodrigo ao seu lado.
-Seu incentivo me comove.
-Relaxa amiga,você vai se sair bem.Se cantar mal, pelo menos fica famosa no youtube. –ela disse me mostrando a câmera em sua mão.
-Pra quê inimigos quando eu tenho você? –eu disse, fazendo todos rirem.
Seguimos em direção ao auditório e lá encontrei Mike que logo veio falar comigo.Me desejou boa sorte e disse que daria tudo certo.Logo fui chamada pela professora de teatro, e organizadora do show de talentos, dizendo que eu precisava ficar nos bastidores.Mike se sentou na primeira fileira juntamente a Carol ,Rodrigo  e Justin.As apresentações se iniciaram,me deixando ainda mais nervosa,as pessoas ali tinham bastante talento,que variavam da dança ao canto.Eu era a ultima a me apresentar e a medida que cada participante deixava o palco eu sentia o frio na barriga aumentar.Tive vontade de desistir,mas eu não faria isso.Um garoto do segundo ano estava cantando e depois dele seria minha vez,ele cantava bem,na verdade muito bem.Assim que parei de ouvir sua voz os aplausos tomaram o lugar,e merecidos. “É minha vez” pensei comigo mesma,eu respirava fundo na tentativa de me acalmar.Quando ouvi meu nome eu me levantei e peguei meu violão.Quando entrei no palco segui em direção ao banco que estava no centro com um microfone a sua frente.
-Bom,essa é uma composição minha e eu espero que gostem. –eu disse posicionando o violão.
-Arrasa amiga! –pude ouvi Carol gritar,o que fez com que eu e algumas pessoas rissem.
Respirei fundo algumas vezes e comecei a tocar. (escutem a musica aqui ,vai fazer mais sentido.)
Quando terminei de tocar,senti um alívio.Eu tinha conseguido,eu cantei na frente das pessoas pela primeira vez.Pude ouvir os aplausos e após agradecer deixei o palco.Os participantes foram avisados de que deveriam ficar nos bastidores por mais alguns minutos até que o ganhador fosse anunciado.Depois de algum tempo de espera o garoto do segundo ano foi anunciado como o ganhador.Fiquei feliz,ele cantava muito bem e merecia ganhar.Fomos todos liberados e eu fui de encontro aos meus amigos.
-Eu sabia que você cantava bem. –Mike disse me abraçando.
-É amiga,você não é ruim não hein. –Carol  disse me fazendo sorrir.
-Isso aí Ali,mandou muito bem. –Rodrigo  disse.
-Você foi ótima. –Justin disse e deu um meio sorriso.
Ele estava tenso e todos perceberam isso.
-Bom,eu já vou indo.Eu e o meu gatinho temos coisas a fazer. –Carol  disse se despedindo e puxando Rodrigo para que fossem embora.
-Eu também vou indo. –Mike disse e se despediu de mim e de Justin.
-Vamos Ali? –Justin perguntou sem me olhar diretamente.
Eu apenas assenti com a cabeça e seguimos em direção ao seu carro.Ao contrario da ida a volta agora era silenciosa,Justin não dizia uma palavra.Do nada ele  encostou o carro e ficou me encarando,depois de longos segundos ele quebrou o silencio.
-Aquela musica. –ele deu uma pausa. –Era sobre...
-Você. –o interrompi.
-Então ...
-Sim. –o interrompi novamente. –Eu estou completamente apaixonada pelo meu melhor amigo.
Justin apenas me observava sem nenhuma reação,por um momento desejei não ter dito nada daquilo.Como eu pude ser tão estúpida?Eu achando que ele iria dizer que sentia o mesmo,tive vontade de sair correndo,aquela espera estava acabando comigo,mas ele por fim disse:
-Alison,nós nos conhecemos desde sempre,eu nunca vi você de outra forma,você é como uma irmã mais nova pra mim.
-Eu imaginei que fosse dizer isso. –eu disse e uma lágrima escorreu do meu olho.
Justin passou a mão em meu rosto secando-a e sorriu.
-Você é tão doce,tão frágil e eu sou tão errado,eu sempre acabo magoando as pessoas.Eu não iria suportar fazer isso com você. –ele disse por fim e eu senti como se uma faca atravessasse meu peito.
-Tudo bem Justin,eu entendo.Eu só não conseguia mais guardar isso pra mim.Bom,pelo menos agora você já sabe.- eu disse por fim e saí do carro.
Eu chorava,eu já havia me preparado para que sua resposta fosse essa,mas isso não diminuía a dor que eu sentia.
-Alison, espera. –pude ouvi-lo gritando atrás de mim e me virei.
-O que você quer?Dizer quais os motivos pra você não sentir o mesmo por mim? –ele se aproximava. –Não torna isso mais difícil Justin,por favor. –Eu disse isso e notei que não existia mais distancia entre nós,ele pousou suas mãos em minha cintura e me puxou, juntando nossos lábios.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Secret love - Capítulo 03
O restante do dia foi um desafio pra mim, eu não imaginei que atender mesas pudesse ser tão difícil. Eu quase sempre errava os pedidos e algumas vezes quase derrubei a bandeja em cima dos clientes, não sei como não fui demitida, parece que apesar do meu fracasso como garçonete o gerente tinha até que gostado de mim. Eu estava voltando pro apartamento, o sol estava se pondo, mas ainda não estava escuro, o que me aliviou, odeio pensar em andar sozinha por aí quando está escuro. Assim que entrei no prédio segui em direção ao elevador, eu estava distraída, mas percebi que segundos depois que entrei outra pessoa ocupou o lugar, olhei pro lado pra ver quem era e senti meus olhos se revirarem.

-Você? – eu perguntei incrédula, era o mesmo carinha que esteve na lanchonete mais cedo. Ele apenas me olhou, mas não disse nada. –Isso é algum tipo de piada? Você ta me seguindo ou algo assim? –ele apenas riu. – Ta rindo do que? –ele me deixou extremamente nervosa, de novo.

-Eu moro aqui. –ele disse e voltou a encarar a porta do elevador, de repente eu senti um baque e percebi que ele tinha parado.

-Não, não e não. Isso não pode estar acontecendo. –eu disse e comecei a apertar todos os botões. –Essa lata velha precisa andar, eu não acredito que vou ter que ficar presa aqui. –Eu então olhei pro cara ao meu lado e ele estava estático. –Faz alguma coisa, liga pra alguém.

Mas ele não fez nada,ficou ali parado encarando a porta do elevador, ele demonstrava pânico.

-Ótimo, eu estou presa em um elevador com um idiota arrogante que ainda por cima é claustrofóbico. – eu disse e passei as mãos pelos meus cabelos.

-Quem disse que eu sou claustrofóbico? –ele perguntou me encarando. –Ele falava baixo.

-É claro que é. –eu disse simples. –Olha, eu conhecia uma pessoa assim, eu sei do que eu to falando.

-Será que a gente vai ficar preso aqui por muito tempo? –sua respiração estava pesada. Ele se sentou no chão e ficou me encarando.

-Merda! –eu praguejei. –Olha, só tenta ficar calmo ta legal? Eu vou dar um jeito de tirar a gente daqui. –eu então me sentei ao seu lado e tirei meu celular da bolsa.

-Oi Claire, algum problema? –ouvi a voz de Amber.

-Am, eu preciso que mande, sei lá, os bombeiros até o prédio. Eu to presa no elevador.

-Claro, vou ligar agora. Ta tudo bem aí? –ela perguntou preocupada.

-Ta sim, só vai rápido ta legal? –e então desliguei o celular. Olhei pro lado e o carinha estava calado, ele olhava em volta, como se procurasse uma forma de sair dali. –Sabe, ficar assim não vai ajudar, você precisa se distrair.

-E eu vou me distrair com o que? –ele me olhou.

-Comigo. –eu disse como se fosse obvio e ele me lançou um olhar pervertido. –Não dessa forma seu nojento. Conversa comigo, fica olhando só pra mim, esquece que você ta preso em um elevador. –ele então se virou pra mim e ficou analisando todo o meu rosto.

-E vamos conversar sobre o que? –ele arqueou uma das sobrancelhas.

-Você pode começar me dizendo seu nome.

- Justin. –ele disse e voltou à expressão séria.

-Muito bem, Justin. Qual sua idade? –eu faria mesmo um interrogatório a ele? Sim, pelo visto eu faria. Não sei porque, mas olhar dentro daqueles olhos dourados me dava vontade de saber mais sobre o dono deles.

- Você quer realmente saber isso? –ele revirou os olhos, e eu continuei o encarando, esperando por uma resposta. –Tudo bem, tenho 23. Acho que estou um pouco velho pra você. –ele piscou e me olhou debochado.

-Pra sua informação eu tenho 22 anos. –eu disse irritada.

-Então você não tem 17 anos? –ele perguntou como tivesse descoberto a coisa mais incrível do mundo e voltou a me olhar debochado. –Me desculpe, sua cara de criança me enganou.

-Você é um idiota mesmo. Eu to aqui tentando te ajudar e você fica debochando de mim. –eu disse e mudei de posição, de modo a não ficar mais de frente pra ele.

-Ta legal, me desculpa. –ele passou a mão no cabelo. –Você até que é bonitinha.

Eu o fuzilei com os olhos e ele riu. Minha expressão automaticamente se suavizou, sua risada era incrivelmente sexy, eu o fiquei encarando por um momento e quando ele parou de rir fez o mesmo. Nossos olhares se cruzavam e eu me senti totalmente atraída por ele. Eu saí do transe quando senti novamente um baque, o elevador tinha voltado a subir. Ele parou no meu andar e eu saí às pressas do elevador, fiquei extremamente tímida com toda aquela situação. Eu pude notar que Justin vinha caminhando atrás de mim, ele parou na porta do apartamento 63 e tirou uma chave do bolso, ele entrou e antes de fechar a porta sorriu e disse.

-Boa noite, vizinha.

Depois de sacudir a cabeça algumas vezes, eu entrei no apartamento. Como é possível uma pessoa te deixar nervosa, em todos os sentidos que essa palavra possui? Justin tinha conseguido me causar raiva e uma vontade louca de beijá-lo em menos de um minuto. E pra piorar a situação ele estava a um corredor de distancia. Tomei um banho na tentativa de tirá-lo da cabeça, depois de colocar pijama, jantei e fiquei vendo TV, senti meus olhos pesarem e adormeci ali mesmo, no sofá.

Acordei no dia seguinte com meu celular tocando, quando olhei no visor senti meus olhos revirarem.

-Agora você lembrou que tem uma filha? –disse seca, assim que atendi.Era minha mãe.

-Claire, como você está? –ela perguntou ignorando a forma como atendi.

-Ah, eu to ótima. Meus pais me expulsaram de casa, eu tive que me mudar pra um apartamento minúsculo 
em um bairro muito estranho e de quebra to trabalhando como garçonete. Minha vida não poderia estar melhor. –sorri cínica, mesmo que ela não pudesse ver.

-Você ainda irá nos agradecer por isso, Claire. –minha mãe disse firme.

-Claro! Pode esperar por isso sentada. Eu nunca vou perdoar o que vocês fizeram comigo. –eu disse também firme. –Mas pode deixar, logo vocês vão ver o quanto estavam enganados ao meu respeito. Eu sei como ser responsável.

-É o que eu mais quero. –minha mãe disse.

-Agora eu preciso ir, eu tenho muitas mesas pra servir. –e então desliguei o celular.

Que forma ótima de começar o dia. Eu estava um pouco atrasada, coloquei uma roupa qualquer e peguei uma maçã, que fui comendo no caminho. Assim que abri a porta encontrei Justin no corredor.

- Mais um dia de plebeia? –ele me olhou debochado.


-Não enche, idiota. –saí dali bufando em direção ao elevador. Parece que todo mundo resolveu encher meu saco hoje. Justin foi pelas escadas, acho que depois do que ocorreu ontem ele não irá usar o elevador tão cedo.

domingo, 6 de outubro de 2013

Secret love - Capítulo 02


Respirei fundo algumas vezes tentando manter a calma. Tudo bem,eu vou passar a noite em um hotel e amanhã eu vejo o que eu faço.Eles não podem estar falando sério,certo?Errado. Todos, eu digo todos os meus cartões estavam bloqueados, não havia um sequer pra contar história. Aquilo parecia um pesadelo, meus pais devem me odiar pra fazer isso comigo. Minha ultima alternativa foi correr pra casa da Amber, tudo bem que minha mãe disse que eu não poderia morar com ela, mas passar uma noite não teria problema algum. Ela me deixou sem alternativas, ou era isso ou eu iria passar a noite na rua. Amber vivia sozinha em um apartamento pequeno, em frente ao Central Park. Poucos segundos depois de ter tocado o interfone, ela atendeu e abriu o portão para que eu subisse. Assim que saí do elevador pude vê-la escorada no vão da porta me olhando preocupada.

- Amber, eu to literalmente na pior. –eu disse e entrei em seu apartamento.

Sentadas no sofá da pequena sala, contei tudo o que tinha acontecido pra ela.

-Eu não acredito que seus pais foram capazes disso. –ela disse assim que terminei de contar tudo, se levantou e ficou andando de um lado pro outro. –Mas não se preocupa, nós vamos dar um jeito, você é a pessoa mais determinada que eu já conheci na vida, você vai sair dessa.

-Eu não sei, Am. Eu nunca trabalhei na vida. Você sabe que eu odeio acordar cedo e ter que fazer o que os outros mandam, eu não sei se consigo.

-Claro que consegue. Trabalhar não é assim tão ruim, depois de um tempo você se acostuma e passa até a ...

-Por favor não diga gostar. –eu a interrompi.

-Tudo bem, não digo. –ela riu.

Ficamos conversando até quase de madrugada, Amber tinha o poder de me fazer rir nas situações mais críticas que existem. No dia seguinte acordei disposta a mostrar que eu sabia como ser responsável, se é isso que meus pais querem, então é isso que eles vão ter. Tomei café com Amber e ficamos discutindo o que eu faria.

-Claire, meu irmão deixou um apartamento vazio na cidade quando se mudou. Se quiser, pode ficar lá durante esse tempo. –ela disse e tomou um gole do seu café. – Não é nada luxuoso, mas pra quem não tem pra onde ir, eu acho que ta ótimo. –ela sorriu.

-O que seria de mim sem você, hein? –sorri.

Amber me entregou as chaves do apartamento e me deu o endereço. Ela não poderia ir comigo, já que precisava estar cedo no trabalho. Quando cheguei ao endereço que estava anotado no papel senti um calafrio me percorrer toda a espinha. O lugar era assustador, os prédios eram antigos e descascados, a maioria deles era coberto por pichações, até mesmo as pessoas que passavam ali eram estranhas, tinham expressões sérias e não pareciam nenhum pouco simpáticas. Estacionei meu carro em um beco que ficava ao lado do prédio, na esperança de que ele não chamasse tanta atenção. Peguei minhas malas com certa dificuldade, o prédio não possuía porteiro ou qualquer outra pessoa que pudesse me ajudar. Pelo menos tinha elevador, ou quase, se é que aquela velharia poderia ser chamada assim. Mas eu não tinha escolha, a não ser que eu quisesse subir as escadas carregando malas que pesavam, provavelmente, mais do que eu. 

Fui rezando para que o elevador não parasse e por sorte não o fez. Segui o corredor mal iluminado até encontrar a porta certa, número 64. Ao abrir a porta eu senti os pelos do meu braço se arrepiarem, aquele lugar estava imundo. As paredes estavam manchadas, dando ao lugar um ar triste. O banheiro então nem se fala, ele possuía uma espécie de banheira, com um chuveiro em cima e estava imunda, a cozinha não estava diferente.Muito bem, Claire. Você terá muito trabalho.

Para minha sorte, se é que isso ainda existia na minha situação, encontrei um supermercado perto dali. Comprei todo o tipo de material de limpeza que eu encontrei, pelo menos eu ainda tinha um dinheiro na carteira, ou teria que morar em um lugar nojento. Assim que retornei ao apartamento, coloquei roupas confortáveis e prendi meu cabelo. Quando terminei de limpar aquele lugar, já passavam das seis da tarde, eu estava exausta e precisava urgentemente de um banho. E para minha “sorte”, aquele lugar não tinha água quente. Isso não pode estar acontecendo, espero que o meu lugar no céu já esteja reservado e de preferência em uma banheira de hidromassagem. Terminei o banho e coloquei um short de moletom e uma camiseta. Pelo menos não era inverno, ou eu ficaria doente. O apartamento era mobiliado, não eram móveis incríveis, mas estavam em perfeito estado. Fiquei observando o lugar, até que a minha limpeza tinha sido bem feita, nem parecia o mesmo apartamento, exceto pelas paredes manchadas, mas eu ainda daria um jeito um nelas. A campainha então tocou. Era Amber, com as mãos cheias de sacolas.

-Trouxe comida pra você. –ela sorriu e entrou, deixando as sacolas no balcão da cozinha.

-Você é definitivamente a melhor amiga de todas. –eu disse e comecei a guardar tudo na geladeira.

Ela tinha comprado comida chinesa, minha preferida. Comemos as duas sentadas no sofá.

-Tem uma lanchonete aqui perto precisando de garçonete, ela disse.

-Ta e aí? –eu perguntei.

-E aí que você precisa de um emprego. –ela me olhou, como se eu tivesse feito a pergunta mais estúpida do mundo.

-Eu não vou trabalhar como garçonete. Sem chance. –e continuei comendo.

-Claire, você não ta podendo escolher. É só por enquanto, até você encontrar algo melhor.

-Eu já disse que não, Amber. –a olhei seria.


-Contratada. –o homem barrigudo disse. –Pode começar amanhã. Seu turno será das oito da manhã até as seis da tarde. –ele sorriu e então fechou a cara. –Não se atrase.

-Eu não acredito que vou fazer isso. –encarei Amber.

-Meu poder de convencimento é incrível. –ela sorriu debochada. –Agora eu preciso ir, não se atrase amanhã. –ela beijou minha bochecha e saiu dali rindo.

Voltei pro apartamento a passos largos, se aquela rua era estranha à luz do dia, pode apostar, era dez vezes pior à noite. Logo que cheguei, me joguei na cama e agradeci por minha mãe ter ao menos colocado roupas de cama em uma de minhas malas. Acordei no dia seguinte com meu celular tocando, o atendi ainda deitada e de olhos fechados.

-Está na hora de acordar. Não se esqueça que não pode se atrasar pro seu primeiro dia de emprego. –a voz de Amber me fez abrir os olhos e me levantar.

-Eu te odeio sabia?

-Você precisa acabar com esse mau humor de manhã. –imaginei que ela estivesse sorrindo agora, com a mesma cara debochada. –Agora eu preciso ir, bom trabalho. –e então desligou.

Segui pro banheiro e tomei um banho, a água gelada me ajudou a despertar. Tomei café e agradeci por ter uma amiga tão preocupada comigo. Tinha colocado uma roupa qualquer, já que provavelmente eu teria que usar um uniforme.

Na lanchonete, o gerente, o mesmo homem barrigudo, me disse que eu ficaria no balcão durante a manhã, pra me acostumar primeiro e a tarde eu começaria a atender as mesas. E como eu já previa, aquele trabalho era um saco. Eu estava de costas, preparando o café na maquina, ou pelo menos tentando, quando ouvi uma voz me chamar, a princípio não me virei e logo a ouvi de novo.

-Oh mocinha, eu estou falando com você. –ele disse impaciente.

-Será que dá pra esperar? – eu disse nervosa. –Se você não percebeu eu estou ocupada. –assim que me virei achei que estivesse tendo uma miragem. Fiquei o encarando por um tempo, meio atordoada. Cabelos dourados e arrepiados, olhos penetrantes de um tom de mel maravilhoso, boca carnuda e rosada e uma das sobrancelhas estava arqueada o deixando incrivelmente sexy. – Me ... Me desculpa. –sacudi a cabeça tentando sair do transe. –O que você quer?

-Me traz um café. – e revirou os olhos. –Vossa alteza. –ele disse em um tom de escárnio que eu não entendi.

-O que disse? –eu perguntei.

-Que eu quero um café.

-Não. Por que me chamou de vossa alteza? –eu o encarava, ele então sorriu debochado e jogou o jornal que estava em suas mãos no balcão. –Era só o que me faltava.

A primeira pagina do jornal estava estampada com uma foto minha e a seguinte legenda: “Bonequinha de luxo, depois de tanto aprontar, finalmente recebe alguma punição. Claire Wentworth foi expulsa de casa.”

Eu então, servi o café do deus grego, nenhum um pouco educado, sentado a minha frente.

-Eu nunca pensei que veria alguém como você servindo café em uma lanchonete. –ele disse sem perder o ar debochado.

-Você não me conhece. –eu disse seca. Qual é a desse cara hein?

-Sei o suficiente sobre pessoas como você. –ele então tomou seu café, deixou o dinheiro em cima do balcão e saiu dali.



Que cara irritante. Um desperdício já que é tão lindo.

                                                                      ... 
Oi gatonas,como vão? Ta aí o segundo capítulo,eu espero que tenham gostado. Eu sei que começo de fanfic é foda,mas prometo que logo logo melhora e começa a ficar mais emocionante, dessa vez vai ser uma história um pouco mais madura também, tanto pela idade dos personagens quanto pelo romance dos dois. Espero que vocês gostem dessa história também. Bom, é isso. Mil beijos e até o próximo.

sábado, 5 de outubro de 2013

Secret love - Capítulo 01
Cheguei em casa por volta das 4 da manhã. Ainda estava um pouco zonza por conta da bebida e fui andando devagar, prestando atenção em cada passo pra fazer o mínimo de barulho possível. A enorme sala da mansão estava com as luzes apagadas e tive que fazer certo esforço pra não esbarrar em nada, assim que cheguei em frente as escadas tirei meus sapatos e fui subindo sorrateiramente. Praguejei baixo quando vi que a luz do quarto dos meus pais estava acesa. Com certeza levaria uma bronca por chegar a essa hora, em plena terça feira, em casa. Torci para que minha mãe tivesse dormido enquanto lia e se esquecido de apagar as luzes. Ajoelhei-me no chão e fiquei de quatro, fui andando dessa forma pelo corredor na esperança de que nenhum dos dois me visse. Parece que deu certo, assim que passei pela porta do quarto deles me coloquei de pé novamente e segui em direção ao meu quarto que ficava a duas portas dali. Assim que entrei, coloquei meus sapatos num canto e me atirei na cama, nem me dei ao trabalho de trocar de roupa ou tirar a maquiagem, estava exausta e precisava dormir.

Acordei no dia seguinte com a claridade invadindo meu quarto, assim que me sentei na cama me senti zonza, parece que o efeito do álcool ainda não tinha passado totalmente, minha cabeça doía e eu sentia minha boca seca. Segui em direção ao banheiro e me debrucei na pia de mármore, lavei meu rosto em seguida e fiquei me encarando no espelho. Oh céus, eu estou horrível. Meus olhos estavam com olheiras enormes e meu rímel escorrido, meu cabelo formava nós que só seriam possíveis tirar depois que o lavasse. Fiz uma careta e comecei a me despir. Entrei no chuveiro e tomei um banho demorado, eu cheirava a tabaco e cerveja. Lavei meus cabelos, passando os dedos por entre os nós varias vezes na tentativa de me livrar deles, achei que ficaria careca. Assim que terminei meu banho fui direto ao meu closet e procurei por uma roupa confortável. Senti meu estomago revirar e me lembrei que não comia nada desde as oito horas da noite anterior. Fui em direção a cozinha e encontrei Carmen, a cozinheira.

-Bom dia, Claire. –ela sorriu simpática como sempre.

-Bom dia, Carmen. –eu sorri. –Ainda tem daquele bolo de chocolate maravilhoso que você fez ontem? –passei a língua por meus lábios inferiores me lembrando do sabor incrível daquele bolo.

Ela então colocou um prato a minha frente e me serviu com um pedaço.

-Obrigada. –disse antes de atacar aquela delicia.

Depois que comi me sentei na sala de TV e fiquei pulando de canal em canal na procura de algo decente pra assistir. Acabei parando em um filme que já tinha visto diversas vezes, mas pelo menos consegui me distrair. Já eram três da tarde quando decidi me levantar e fazer alguma coisa. Subi pro meu quarto e peguei meu celular discando o número de Amber, minha melhor amiga desde que me entendo por gente, nos conhecemos no jardim de infância e somos inseparáveis desde então.

-Oi, Claire. –ela atendeu no terceiro toque.

-Oi, Am. Vamos fazer alguma coisa? Aqui em casa está um tédio total.

-Estou trabalhando. Não tenho a vida boa que você tem, preciso pagar minhas contas.

-Oh não, pelo visto estou sentenciada a ver romances pelo resto do dia. –disse com voz dramática.

-Sem essa Claire, olha o tamanho da sua mansão, você com certeza vai achar algo pra fazer. Agora preciso ir, tenho muito o que fazer. Beijo. –ela desligou antes que eu pudesse me despedir.

Tudo bem, não ter o que fazer pelo restante do dia não é assim tão ruim. Acabei ligando pra Henri, um carinha que eu conhecia a duas semanas e acabamos indo ao cinema, não que eu seja muito fã desse tipo de programa, mas como era uma terça feira a tarde, não consegui pensar em algo melhor.

Eram oito da noite e eu tinha acabado de chegar em casa, estacionando meu porshe vermelho na garagem. Notei que o carro dos meus pais estava ali, indicando que já haviam chegado da empresa. Assim que passei pela porta da entrada vi várias malas ao lado da escada. Minha mãe logo apareceu me encarando com uma expressão indecifrável.

-Mãe o que é isso? – disse apontando pras malas. –Nós vamos viajar?

-Não, Claire. –ela disse com a expressão bem séria. Séria até demais pro meu gosto.

-Então o que essas malas estão fazendo aqui? –Eu estava aflita, o jeito com que minha mãe me fitava estava me dando nos nervos.

-Minha filha, sua mãe e eu tomamos uma decisão. –meu pai disse aparecendo ao lado dela e passando o braço em volta da sua cintura.

-Decisão? Como assim?

-Estamos cansados da forma como você tem levado sua vida. Sem o mínimo de responsabilidade, Claire. 
Nós já tentamos de tudo, mas parece que você não nos ouve.

-Espera aí. Também não é pra tanto. –eu disse os olhando nervosa. Estava com um pressentimento ruim.

-Você pensa que eu não vi que você chegou às quatro da manhã? –mamãe disse com a mesma expressão seria.

-Foi só uma baladinha de nada. E nem era tão tarde assim quando eu cheguei, ainda estava escuro. –os olhei inocente, tentando convencê-los de que eu não era tão irresponsável. Minha mãe apenas riu com escárnio.

-Está na hora de você aprender o que é ter responsabilidade. –ela disse.

-Eu ... Tenho. –disse a ultima parte tão baixo que quase não era possível me ouvir.

-A culpa disso tudo é nossa. –meu pai disse. –Sempre te demos tudo o que você quis e nunca exigimos de você o mínimo esforço. Mas chega de passar a mão na sua cabeça Claire. Já que você não muda por bem, terá que mudar por mal.

-O que você quer dizer com isso?

-A partir de hoje você não mora mais nessa casa.

-Estão me expulsando? –eu disse incrédula. –Eu sou filha de vocês. Não podem fazer isso comigo. Eu não posso ser tão irresponsável assim a ponto de ser expulsa da minha própria casa.

-Claire,você já foi presa duas vezes. –minha mãe disse com desgosto.

-Eu já expliquei que foram mal entendidos.

-E as vezes que você bateu seu carro? –ela continuou. –As diversas boates das quais foi expulsa por arrumar confusão. Você tem vivido como uma adolescente. Está na hora de aprender a ser adulta.

-Mas, vocês não podem fazer isso. –eu disse indignada. Eu era filha deles, aquela casa era minha, eles não podiam simplesmente me colocar no olho da rua.

-A decisão está tomada. –meu pai concluiu.

-Olha, eu vou pra um hotel. Amanhã quando estiverem em juízo perfeito a gente conversa.
Eles se entreolharam e meu coração parou. Eu sentia que aquilo não era tudo.

-Você não terá acesso ao dinheiro. Terá que trabalhar, conseguir as coisas por esforço e mérito seu. –minha mãe disse. –E nem ouse correr pra casa da Amber,você terá que morar em um lugar seu,com seu dinheiro.

-Vocês só podem estar brincando comigo. –aquilo era um pesadelo, não podia estar realmente acontecendo.

-Você tem um ano pra nos provar que pode ser uma adulta responsável. –meu pai disse sério. –Se conseguir, pode voltar a morar na mansão e ter acesso ao dinheiro. Está valendo a partir de agora.

-Eu sinto muito minha filha, mas estamos fazendo isso pro seu próprio bem. –minha mãe disse com certa ternura e deixou a sala acompanhada do meu pai.

Eu fiquei ali sozinha com minhas malas, ainda sem acreditar que aquilo pudesse estar acontecendo. Pro meu próprio bem?Que tipo de pais faz isso com a própria filha? Levei todas as minhas malas até meu carro e deixei a mansão. Após dirigir por algumas quadras eu parei o carro.Ótimo,Claire Wentworth se tornou uma sem teto deserdada pela família.

                                                                       ...
Oi meninas,como estão? Bom,esse é o primeiro capítulo da minha nova IB, e eu espero muito que vocês gostem. Eu acho que ela vai ser melhor do que a anterior, já que aquela foi minha primeira. Se gostaram do primeiro capítulo comentem, e qualquer dúvida é só mandar no ask